sexta-feira, 19 de abril de 2013

Literatura:Machado de Assis(1839- 1908)


O maior escritor da literatura brasileira foi um exemplo de superação. Criado no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, mestiço numa época de grande discriminação, perdeu a mãe muito cedo. De saúde frágil, gago e epilético, Joaquim Maria Machado de Assis foi vendedor de doces na infância e ajudante de coroinha na missa da Igreja da Lampadosa. Face a tantas dificuldades, o menino frequentou a escola sem qualquer regularidade. Sua instrução veio por conta própria, graças ao interesse por todos os tipos de leitura.

Para ajudar a família, trabalhou como aprendiz de tipógrafo e depois como redator de jornais e revistas do Rio de Janeiro, como A Semana Ilustrada, O Espelho e O Jornal das Famílias. Publicou seu primeiro texto literário aos 16 anos, na revista A Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. Em 1858, ele se integrou à sociedade lítero-humorística Petalógica, fundada por Paula Brito e construiu um precioso círculo de amigos: Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida e José de Alencar, seus grandes incentivadores.
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  • Machado de Assis (1839-1908)
Em 1861, traduziu Queda que as mulheres têm para os tolos e no ano seguinte trabalhou como censor teatral, sem qualquer remuneração, mas lhe dava acesso livre aos teatros. Nessa época, passou a colaborar em O Futuro, dirigido por Faustino Xavier de Novais, irmão de Carolina, com quem se casou em 1869. Suas primeiras obras foram inspiradas no romantismo, com destaque para os romances Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia. A partir de 1881, quando escreveu a obra-prima Memórias Póstumas de Brás Cubas, sua ficção foge a qualquer classificação. Quincas Borba, Dom Casmurro e Esaú e Jacó estão entre os maiores tesouros da literatura em língua portuguesa.

Conciliando elegância de estilo e correção da linguagem, os contos de Machado também são marcados por um humor fino e irônico e por um tom melancólico, de quem analisa com profundidade os recantos mais ocultos da alma humana. Fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis permanece um escritor inigualável pela originalidade temática, pela agudeza dos conceitos, pela penetrante análise dos sentimentos e pela perfeição do estilo sóbrio e conciso.

Personagens dos seus romances e contos continuam atuais, porque, superando as contingências de tempo e lugar, representam as paixões humanas. Nem mesmo suas crônicas ficaram datadas, pois tocam sempre na essência daquilo que o autor observava, com um sorriso de contemplação e ceticismo. Orgulho de muitos brasileiros, Machado de Assis é um autor universal, reconhecido por críticos do porte do americano Harold Bloom, que o inclui no Panteão dos maiores escritores de todos os tempos.
 Fonte:Livro 100 Brasileiros (2004)