quinta-feira, 16 de maio de 2013

Estudo pode fazer seres humanos voltarem a executar movimentos a partir de comandos do cérebro


Ana Elisa Santana - Portal EBC -16.05.2013 - 16h20 | Atualizado em 16.05.2013 - 17h39
Rio de Janeiro - As cenas dos filmes de ficção que mostram seres humanos controlando objetos, ou até mesmo movimentando protótipos em ambientes virtuais usando a "força da mente" estão cada vez mais próximas da nossa realidade. Um estudo, liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, busca desenvolver estas ações com as chamadas "tempestades cerebrais".
Confira entrevista em vídeo com Miguel Nicolelis
Tempestades cerebrais são os sinais elétricos pelos quais os neurônios se comunicam. "Tudo que nós fazemos vem de atividades elétricas das células cerebrais. E o conjunto da maneira que a gente pode olhar isso, com a tecnologia disponível hoje, é uma tempestade", explica Nicolelis. Há cerca de 25 anos, os estudos do neurocientista buscam decodificar estes sinais elétricos para, assim, retransmitir as mensagens para artefatos mecânicos, virtuais ou computacionais.
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As experiências têm resultados impressionantes: macacos ue tiveram eletrodos implantados no cérebro conseguem movimentar braços mecânicos e até mesmo realizar atividades em ambientes virtuais. De acordo com Nicolelis, em quatro semanas eles consegues 98% de acerto para os exercícios propostos; mesmo nível de desempenho obtido naqueles exercícios quando realizados em meio físico, com a ponta dos dedos.
Partindo das pesquisas da interface cérebro-máquina, surgiu o Walk Again Project (Projeto Caminhar de Novo), que - como o nome diz - tem o objetivo de fazer pessoas voltarem a executar movimentos perdidos. "A gente quer tentar restituir mobilidade em pacientes com graves níveis de paralisia corpórea através de uma ligação direta do cérebro com uma veste robótica, que vai permitir que ele imagine o movimento, gere uma tempestade cerebral que a gente consegue ler, e traduz em controles dessa veste robótica para que ele possa andar novamente, autonomamente", explica Nicolelis.
O primeiro resultado deste projeto poderá ser visto no próximo ano, na abertura da Copa do Mundo de Futebol. A ideia é que uma pessoa paraplégica consiga levantar da cadeira de rodas para dar o primeiro chute dos jogos da competição. "Esta será o começo da demonstração de toda essa ciência para aplicações clínicas que podem beneficiar muitas pessoas", acredita o neurocientista.
Miguel Nicolelis apresentou o seu projeto nesta quinta-feira (16/05) na conferência www2013, no Rio de Janeiro. Esta é a 22ª edição do evento, e pela primeira vez ele é realizado no Brasil.